
Numa pequena floresta vivia uma família de ursos constituída pelo Sr.
Urso pai (chamado Sr. Armando), a Sr.ª Ursa mãe (chamada Sr.ª Antonieta)
e o pequeno Urso filho (chamado Tintim).
Viviam numa casa feita de madeira (paus
de árvore), coberta de folhas e dentro de um tronco de uma árvore. Um
dia aconteceu uma coisa muito triste: a mãe morreu. O filho e o pai
ficaram inconsoláveis, assim como também ficaram alguns animais da
floresta porque a Sr.ª Antonieta era muito amiga de todos: levava-lhes
comida, tratava deles quando estavam doentes, entre outras coisas. Mas o
mais importante é que ela ensinava-os a ler e a escrever.
Há algum tempo atrás, quando os animais
da floresta souberam que a Sr.ª Antonieta sabia ler e escrever,
pediram-lhe para os ensinar e tornar-se sua professora. Como a Sr.ª
Antonieta é muito atenciosa, não se importou de lhes fazer aquele favor.
Então, os animais puseram mãos à obra: arranjaram um sítio, fizeram uma
casinha pequena com mesas e tudo e, para finalizar a “escola”,
escreveram o nome da Sr.ª Ursa na entrada da escola. Enquanto isso, a
Sr.ª Ursa encarregava-se do material escolar.
Enquanto se recordavam disto, o Sr.
Leopardo disse:
- Tive uma ideia.
- Ai sim? - disse a Sr.ª Águia. – Vá,
conta lá!
- Que tal escrevermos uma carta em
conjunto? Fazíamos uma homenagem à Sr.ª Ursa como forma de agradecimento
por tudo o que ela nos fez e mostraríamos que nunca a iremos esquecer e
que vamos recordá-la sempre com muito carinho e alegria... Então, o que
é que acham da minha ideia?
- É óptima! - responderam todos muito
contentes.
- Olhem, também podemos cantar a música
preferida da Sr.ª Ursa! O que acham? - acrescentou o esquilo.
- Adoramos. - disseram todos os animais.
- É claro que todos nós gostamos. Afinal,
nós gostamos todos da dona ursa e queremos agradecer-lhe e mostrarmos
que gostamos dela. Que tal pormos mãos á obra antes que fique de noite?
- finalizou o Sr. Pantera.
Então, foram buscar folhas, lápis,
canetas, envelopes e flores para fazer um ramo grande para enfeitar a
cova da Sr.ª Ursa. Depois de acabarem tudo, foram para o local onde a
Sr.ª Ursa repousaria eternamente. Quando lá chegaram, fizeram uma roda
em volta da cova da Sr.ª Ursa. A Sr.ª Pantera pousou o grande ramo de
flores que eles fizeram com as flores da floresta e, de seguida, leu a
carta.
A carta dizia que gostavam muito dela,
que não iriam esquecer o que ela lhes tinha feito, que nunca haviam
conhecido uma pessoa tão boa como ela, que recordá-la-iam com muito amor
e carinho, que prometiam que iriam ajudar o seu filho e o seu marido no
que fosse preciso e, para finalizar, despediram-se da Sr.ª Ursa
dizendo-lhe adeus e que descansasse em paz.
De seguida, alguns dos animais foram a
casa da Sr.ª Ursa para ver como estava o seu filho e o seu marido
Armando. Quando chegaram lá bateram à porta, mas ninguém respondeu. Um
dos animais disse:
- Se calhar estão no quintal.
Então decidiram procurar no quintal, mas
não encontraram ninguém. Voltaram a bater à porta e ninguém respondeu.
Decidiram chamá-los:
- Ó Sr. Armando!!! Ó Tintim!!! - gritavam
os animais.
Ninguém respondeu. Então o coelho disse:
- É melhor irmos embora: eles devem ter
ido a algum lado.
Então eles decidiram ir-se embora.
Contudo, enquanto iam embora, ouviram qualquer coisa a cair e
assustaram-se.
- Ai que susto!!! Vocês não ouviram? Está
alguém lá dentro! - disse a rã.
- Também acho! É melhor irmos lá ver,
podem ter-se magoado!!! - disse a Sr.ª Pantera com alguma preocupação.
Voltaram para trás e abriram a porta (é
que eles deixam sempre a porta aberta porque não há ladrões). Enquanto
entravam, um dizia com algum medo:
- Está aí alguém?
- Quem é que está aí? - dizia outro.
Até que chegaram á sala e encontraram o
Sr. Armando sentado no sofá perto da janela, pasmado a pensar. Andaram
mais um pouco e encontraram o Tintim deitado na sua cama a pensar e com
uma lágrima no rosto. Voltaram para perto do Sr. Armando e o esquilo
disse, tocando-lhe no braço:
- Então, Sr. Armando? Você não nos ouviu
chamá-lo?
Mas ele não disse nada nem se mexeu.
Voltaram a perguntar-lhe e a tocar-lhe no braço, mas ele continuou sem
dizer nada até que a dona Águia disse:
- Tive uma ideia.
- Ai sim? Então vá, diz lá depressa!!! -
disse o esquilo, um pouco impaciente.
- Então aqui vai: que tal nós irmos
buscar um copo com água e mandar-mos para cima do Sr. Armando? O que
acham?
No início a Sr.ª pantera não concordava
com a ideia, mas depois concordou. Afinal, ninguém tinha mais nenhuma
ideia.
Então, o esquilo foi buscar o copo de
água e mandaram a água para cima do Sr. Armando.
- E não é que resultou mesmo? - disse a
Sr.ª Pantera um pouco admirada .
- Estava a ver que não acordava! No que
estava a pensar? - perguntou o Sr. Esquilo. - E nem adianta perguntar se
há bocado nos ouviu chamar...
- Posso falar, ao menos? - disse o Sr.
Armando.
Calaram-se todos.
- Estava aqui a pensar na vida, mais
precisamente na minha Ursinha preferida. Sinto muito a falta dela!!! -
disse o Sr. Armando com um ar muito abatido.
- Mas vocês têm de reagir! Vá, saia desse
sofá e vá trabalhar, cuidar do seu quintal, da sua casa e do seu filho.
Vá chamá-lo porque nós queremos mostrar-vos uma coisa que acho que vos
vai ajudar. - disse a Sr.ª Pantera com um ar muito contente.
Então o Sr. Armando foi chamar o seu
filho Tintim e saíram de casa com os animais. Foram até á escola e,
quando lá chegaram, a Sr.ª Pantera disse:
- Estamos aqui na escola da Sr.ª Ursa
para eu vos dizer o seguinte: como todos sabem, infelizmente, a Sr.ª
Ursa faleceu com muita pena nossa; também sabem que, desde então, esta
escola ficou sem professora. Eu tive uma ideia para este problema:
menino Tintim, a sua mãe não o ensinou a ler?
- Sim, mas o que é que isso tem a haver?
Não a estou a perceber. - respondeu o Tintim com um ar desconfiado.
- Tu podes ser o nosso professor, que
achas?
- Não seiiiiiii!!!!!!
- Espera, não digas nada. Se aceitares,
aparece cá amanhã. Pensa na tua a mãe e no que ela quereria que tu
fizesses. Xau e até amanhã.
No dia seguinte todos os animais foram
para a escola à hora que tinham combinado com Tintim, para ver se ele
aceitava ser professor deles. Estavam todos ansiosos. O Tintim nunca
mais vinha e alguns dos animais queriam ir-se embora dizendo que ele já
não vinha. Outros ajudavam a Sr.ª Pantera a acalmar os ânimos dizendo
para não se irem embora. Então, a Sr.ª Pantera levantou o seu tom de voz
e disse:
- Vocês não se lembram da promessa que
fizemos à Sr.ª Ursa? Se não se lembram, eu vou recordar: nós
prometemos-lhe cuidar e ajudar o seu marido e o seu filho no que fosse
preciso e agora vocês querem ir-se embora!?
- Ele tem razão: a Sr.ª Ursa sempre nos
disse que nós temos que fazer aquilo que prometemos.
Assim, todos os animais decidiram
esperar. Enquanto esperavam iam arranjando as coisas, cheios de
confiança. Até que o Tintim entrou na sala e, ao ver aquilo, disse:
- Bom dia a todos vocês. A partir de
hoje, eu vou ser o vosso novo professor.
Os animais, quando ouviram aquilo,
ficaram radiantes. Depois desse momento, começaram a marcar as turmas e
as aulas. Os alunos que tinham aula naquele dia ficaram e os outros
foram-se embora. Mais tarde, alguns deles foram a casa da Sr.ª Ursa para
ver como estava o Sr. Armando. Quando chegaram lá bateram à porta e o
Sr. Armando respondeu:
- Podem entrar, a porta está aberta.
Chegaram à sala e viram o Sr. Armando
sentado no sofá. A Sr.ª Pantera perguntou-lhe:
- Já foi tratar do seu quintal?
- Não. - respondeu o Sr. Armando.
- E, ao menos, já comeu alguma coisa?
- Também não. Estou sem fome. - respondeu
o Sr. Armando.
- Então, venha já comer. Nós vamos
preparar-lhe alguma coisa para comer. Você não pode ficar sem comer,
senão ainda fica doente. - disse a Sr.ª Pantera.
Enquanto ele comia, a Sr.ª Pantera disse:
- Nós vamos embora. Vimos cá mais logo e
queremos vê-lo no seu quintal a tratar do seu jardim e da sua horta. Xau.
Mais tarde, como eles tinham dito,
voltaram para ver se o Sr. Armando estava a cuidar do seu quintal.
Quando chegaram lá, ficaram muito contentes com aquilo que viram porque
o Sr. Armando estava a cuidar do seu quintal.
E aqui acaba a minha história: o Tintim a
dar aulas aos animais e o Sr. Armando a cuidar da sua casa, do seu
quintal e da sua vida.